A vida de São Mateus, O apóstolo - filho de Alfeu[1] -começa pelo seu fim, isto é, começa quando elaacaba. Porque a vida de São Mateus estavaatrelada ao seu pecado, a ganância. Eleera um publicano, um simples cobradorde impostos. Certamente, tinha uma vidaboa e tranquila. De fato, era odiado porseu povo, judeus; pois trabalhava paraos romanos - cobradores de impostostinham uma boa reputação, muitasvezes cobravam a mais ou a menos,dependendo da pessoa.
Para uns, Deus pede o amor; para outros, Deus pede a dor; mas, para Mateus, Deus pediu a vida. Porque a vida de Mateus era o pecado, somente. Viver pelo pecado e para pecar consistia no sustento do miserável, logo pecar era viver; oh pobre Mateus. A pobreza do homem reside na cegueira de viver no erro como se vivesse no bem, andar no errado achando ser o certo. Mateus cobrava dos outros, mandava, brigava, punia e depois será punido. Não punido pelo dono das moedas, mas do ouro.
Deus fez muitos milagres, mas o chamado de Mateus foi um dos maiores. Jesus realizou curas de lepra, transformou água em vinho, fez cego enxergar; mas o de Mateus, diferente desses, foi interno para externo. Imagino eu naquele momento em que passava Cristo no meio daquele local, vendo Mateus contando e cobrando dinheiro dos pobres. Mateus apontando o dedo e exigindo mais ouro ou prata. Ali, naquele momento, Mateus, tomado por um arrependimento, para de contar o dinheiro, olha para frente e vê um humilde homem chamado Jesus de Nazaré. Imagine que nesse momento o olhar de Cristo penetrou de tal forma que viu o íntimo daquele pobre homem dizendo em súplica: “Deus, tem misericórdia de mim, sou pecador.[2]” e em resposta Jesus diz: “Segue-me!”. Jesus não curou os olhos, nem a lepra de Mateus, mas curou a alma; na medida em que o “segue-me”[3] combinado pelo olhar do Cristo, Anima Christi, a Alma curando uma alma; esse foi um dos maiores milagres.
Mateus aceitou Jesus, ele o seguiu até a eternidade. Recebeu as instruções, tornou-se um apóstolo e foi enviado para Etiópia, Nadaber. Nesse local, ele pregou sobre a vida do Filho de Deus, realizando um milagre de ressuscitar o filho do rei. Maravilhado, o rei e as pessoas começaram a presentear e adorar São Mateus, que negou todas as honrarias.
Após esse fato, o rei e sua família se converteu; sua filha; entretanto, consagrou-se a Deus. Seu pai viu isso como um absurdo, enlouqueceu de raiva quando ouviu da boca de são Mateus, em uma homilia, as seguintes palavras:
“É coisa boa o matrimônio, quando nele se guarda a fidelidade. Sabei, pois, os presentes que, se um escravo se atrevesse a raptar a esposa do rei, não somente ofenderia o rei como também mereceria a morte, não por ter-se casado, mas porque convencerá a esposa de seu senhor a violar o matrimônio. E o mesmo aconteceria contigo, ó rei: saibas que Ifigênia tornou-se esposa do Rei eterno e está a Ele consagrada por um véu sagrado. Assim, pois, como poderias tu tomar a esposa de outrem mais poderoso e unir-se a ela pelo casamento?”[4]
Ao ouvir tais ditas, mandou um carrasco assassinar Mateus enquanto ele realizava uma missa, fazendo-o mártir.
É notável, Mateus acompanhou Cristo até a morte, como dirá o pe Paulo Ricardo: “de alguma forma, o sangue de Mateus se misturou com o de Cristo em seu martírio”. Mateus levou as palavras de cristo à risca, ao ponto de o seguir até os céus.
i. Mateus, também conhecido como Levi, era filho de Alfeu, conforme relatado nos Evangelhos de Marcos (Marcos 2,14) e Lucas (Lucas 5, 27). Antes de ser chamado para seguir Jesus, Mateus desempenhava a função de cobrador de impostos entre os hebreus durante o período de domínio romano.
ii. Lucas 18:13
iii. Mateus 9:9
iv.Padre Paulo Ricardo. "Vida e Martírio de São Mateus." Disponível em: <https://padrepauloricardo.org/blog/vida-e-martirio-de-sao-mateus>. Acesso em: 17 de dezembro de 2023.

