Introdução:
Antes de qualquer coisa, informo que este texto não é um ataque frívolo à fé de outrem. É apenas uma tentativa de continuar o que o Padre Paulo Ricardo iniciou, instigado por Karl Barth — teólogo suíço —, que é responder à pergunta: Por que sou católico e não protestante? Dado o contexto, sinto-me inclinado a realizar tal esforço que, confesso desde já, é profundamente medíocre por causa da corrupção de minha alma.
Antes de qualquer explanação, dou um contexto histórico de minha vida. Por um certo tempo da minha juventude fui protestante — mais precisamente, adventista. Até os meus 17 anos, estive mergulhado nessas doutrinas. Durante esse período, fui assediado pelas mais diversas histórias deturpadas da Santa Igreja.
Eu, como um bom protestante, mantinha-me firme no que acreditava. O curioso é que nunca havia visitado ou conhecido a Igreja Católica — em parte, porque toda minha família era protestante, e também por causa da minha pouca idade. Ainda assim, não fui poupado de ouvir mentiras ditas de forma aberta e até mesmo sem necessidade. Essa forma protestante-adventista de pensar foi moldando minha visão: tudo era "a Igreja Católica está errada" ou, em resumo: Igreja Católica = erro maior que desejar o inferno.
Fui protestante por amor ao orgulho de estar certo; agora sou católico porque reconheci que nunca estive. É essa mudança de pensamento — de querer se humilhar para poder adorar a Deus — que marca a verdadeira conversão. É esse amor pela verdade que deve mover o bom católico, o bom homem, o bom cidadão, o bom cristão. Todo protestante que for honesto, um dia, tornar-se-á católico.
Em resumo, ser protestante é, na maioria das vezes, odiar a religião católica e pouco mais. Quando me dei conta da verdade que estava diante dos meus olhos, a conclusão foi clara: aceitar a verdade é ser católico. Não conheço todo o tesouro apostólico, e nem chego aos pés da envergadura do Sr. Chesterton, mas sei que não preciso saber tudo para entender o óbvio. Portanto, ao olhar para os irmãos protestantes, só vejo que permanecem onde estão por três motivos: orgulho, ignorância ou má formação.
Desenvolvimento:
A importância deste tratado é afirmar, até para mim mesmo, o motivo de ser eu um e não o outro. Em primeira instância, listo os pontos que me fazem ser católico:
Honestidade;
Trindade;
Humildade.
A seguir, explico cada um desses pontos:
1. Honestidade:
Muitos protestantes, ainda que com boa intenção e zelo sincero, acabam adotando uma postura argumentativa que parte de uma conclusão pré-definida. Em vez de perguntar se Maria foi preservada do pecado original, por exemplo, partem do princípio de que ela não foi — e a partir daí procuram sustentar essa crença, mesmo que isso implique ignorar ou reinterpretar séculos de tradição, teologia e exegese patrística. Esse método, embora comum, não é fruto de má-fé deliberada, mas de uma epistemologia moldada por um espírito de ruptura — a mesma ruptura que marcou o surgimento das heresias protestantes.
2. Trindade:
Um ponto central da teologia protestante é a Trindade. Alguns dirão que essa doutrina é firmemente defendida em suas confissões de fé. Porém, vos digo: o que de fato separa católicos e protestantes não são as imagens ou os santos — mas a própria concepção de Cristo.
O pastor Augustus Nicodemus, por exemplo — respeitável líder presbiteriano — afirma que Maria é mãe somente da parte humana de Cristo. Ora, como um Ser completo pode ser gerado em partes? Essa visão revela um erro que já foi condenado no passado: o nestorianismo.
Como muito bem explicado pelo padre Paulo Ricardo, a única diferença essencial entre católicos e protestantes está no "sentido teândrico" — ou seja, na união da natureza divina e humana de Cristo. O protestante, ao não compreender isso, não entende que ao se aproximar de Cristo podemos nos assemelhar a Ele de tal forma que somos unidos à Sua cruz. Nós católicos, quando tocamos as sandálias de São Francisco, tocamos as sandálias de Cristo.
3. Humildade:
C. S. Lewis relata em seu livro Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz (Carta 14) uma artimanha usada pelos inimigos de Deus: induzir alguém a se orgulhar da própria virtude. A graça da humildade, por exemplo, pode ser corrompida se o homem se percebe como virtuoso em excesso — transformando graça em desgraça. É nesse momento que um hobbit se torna um Gollum.
Trago essas alegorias para explicar o complexo. Como escreveu Nicolas Boileau:
Rien n'est beau que le vrai: le vrai seul est aimable ; Il doit régner partout, et même dans la fable: De toute fiction l'adroite fausseté Ne tend qu'à faire aux yeux briller la vérité.
(Nada é belo exceto o verdadeiro: somente o verdadeiro é amável; Ele deve reinar em todos os lugares, até mesmo na fábula: A falsidade em toda ficção só tende a fazer a verdade brilhar aos olhos.)
Percebo que o protestante muitas vezes age por orgulho próprio, pelo desejo de destruir a Igreja Católica. Eles podem divergir entre si, mas todos se unem para atacar a Sanctam Ecclesiam. Em última instância, é o orgulho — e não a verdade — que guia boa parte do caminho evangélico.
O católico, ao contrário, ajoelha-se diante do Magistério, reconhecendo que os dogmas são imutáveis. Ele não se rebela contra a doutrina — porque ela não muda. O protestante, se quiser, pode fundar sua própria igreja e tornar-se seu próprio pontífice. Em resumo, o protestante muitas vezes odeia a Igreja Católica porque deseja ocupar a cátedra de Pedro.
Conclusão:
Esses são pontos simples que observei quando me converti. Não é uma exposição completa, mas um esboço de um mapa — onde dou pistas da localização do “X”. Este mapa é imperfeito, mas aponta para o único tesouro que vale a pena buscar: a verdade que nos foi confiada pela Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.
